CLT ou PJ: quando vale a pena trocar de regime em 2026?
Desde janeiro de 2026, o empregado com carteira que ganha até R$ 5.000,00 por mês não paga Imposto de Renda. Para empatar com um salário CLT, uma proposta PJ precisa cobrir cerca de 20% a mais, antes dos custos da empresa.

Desde 1º de janeiro de 2026, a Lei nº 15.270/2025 zerou o Imposto de Renda de quem recebe até R$ 5.000,00 por mês e reduziu o imposto de quem ganha até R$ 7.350,00. A mesma lei passou a reter 10% de IR sobre lucros e dividendos acima de R$ 50.000,00 por mês pagos por uma mesma empresa a uma pessoa física, e criou uma tributação mínima para quem tem renda anual acima de R$ 600.000,00. As duas mudanças mexem na velha comparação entre carteira assinada e pessoa jurídica: o empregado de renda média passou a pagar menos imposto, e o sócio de empresa com retirada muito alta passou a pagar algum.
Na faixa de até R$ 5.000,00, o argumento de virar PJ para fugir do imposto na fonte perdeu quase toda a força.
A comparação justa começa pelo pacote anual da carteira. O empregado recebe 13 salários (com o 13º), mais um terço sobre as férias e um depósito de 8% de FGTS sobre tudo isso. Na soma, o custo equivale a cerca de 1,2 salário por mês. Quem ganha R$ 4.000,00 com carteira recebe no ano R$ 53.333,33, mais R$ 4.266,67 de FGTS, o que dá R$ 57.600,00, ou R$ 4.800,00 por mês. Como esse salário está abaixo de R$ 5.000,00, em 2026 ele não tem IR descontado. Uma proposta PJ de R$ 4.800,00 só empata no papel e perde depois que entram impostos da empresa, contador e contribuição ao INSS. No outro extremo, um salário CLT de R$ 15.000,00 equivale a R$ 18.000,00 mensais no mesmo critério. Ele fica fora de qualquer redução, porque passa de R$ 7.350,00, e segue a tabela progressiva até 27,5%. Nessa faixa a pessoa jurídica ainda pode render mais, porque a retirada de lucros dentro do limite de R$ 50.000,00 por mês de cada empresa continua sem a retenção de 10%. Mesmo somando o ano todo (R$ 216.000,00), o valor fica longe dos R$ 600.000,00 que acionam a tributação mínima.
Quem ganha e quem perde com a troca
Quem perde mais ao trocar a carteira por um CNPJ é a renda baixa e média. Além do imposto que já não pagava, essa pessoa abre mão do FGTS, da multa de 40% numa demissão sem justa causa, do seguro-desemprego e das férias remuneradas. Quem ganha bem acima de R$ 7.350,00 ainda pode ter vantagem como PJ, mas a conta depende do regime tributário da empresa e precisa ser feita com contador. Nos dois casos, a aposentadoria tem o mesmo limite: o teto do INSS em 2026 é de R$ 8.475,55, fixado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 13/2026, e contribuir sobre menos que isso como PJ reduz o benefício futuro.
Antes de responder a uma proposta, vale calcular o valor real do salário oferecido na calculadora de salário líquido e comparar com o valor PJ já descontados os custos da empresa.
O ponto que segue sem definição é a validade da contratação como PJ para quem trabalha com rotina de empregado. O Supremo Tribunal Federal discute o tema no Tema 1.389 da repercussão geral. Em junho de 2026, o relator permitiu que os processos voltassem a andar nas varas e nos tribunais regionais, mas o julgamento de mérito ainda não tem data marcada.
Confira o seu caso: compare o pacote clt com o líquido como pj.
Calcular clt x pj